quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Continuum: I Festival de Arte e Tecnologia do Recife

Tardou mas não falhou, festival de arte e tecnologia chega ao Recife.
Começou hoje na Torre Malakoff às 18h o primeiro Festival de Arte e Tecnologia do Recife, o Continuum.

Continuum é mais do que um evento que reúne arte e tecnologia. É um festival que aproxima informática, cultura, pesquisa livre e diversas áreas de conhecimento em uma abordagem multidisciplinar.

Cinema, Música, Informação e áreas de conhecimento correlacionadas estarão presentes no Festival que tem início no dia 08 de outubro e termina oficialmente no dia 18. As oficinas, seminários e toda a programação é gratuita, livre e democrática como a informação que circula pela Internet deveria ser.

Seminários - Durante o Continuum, convidados especiais darão a partida em discussões sobre os rumos da arte atual. Ampliando o debate sobre a interferência e/ou os benefícios da tecnologia sobre artes tradicionais como o cinema ou a literatura, os seminários vão acontecer na Torre Malakoff (nos dias 10 e 17) e no Centro Cultural dos Correios (dias 14, 15 e 16).

Oficinas - Voltadas tanto para iniciantes quanto para iniciados, os workshops do Continuum são um ponto de partida para novas descobertas em campos específicos na interseção entre arte e tecnologia, tanto hi tech quanto low tech. Os Workshops serão realizados no espaço da Torre Malakoff e são gratuitos.

Shows e Exposições – Instalações artísticas com ligações com novas tecnologias ficarão em exposição em salas da Torre Malakoff durante o período de realização do Continuum. Uma das instalações que ficará em cartaz será a premiada “Crepúsculo dos Ídolos”, de Jarbas Jácome, um dos vencedores do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, que será apresentada pela primeira vez no Recife após ter sido apresentada em festival de linguagem eletrônica em São Paulo.

Dj Dolores atração da abertura oficial do evento

Nos finais de semana, acontecem shows com artistas locais e convidados de outras cidades, a exemplo do Coletivo Chippanze, especializado em chiptune, que se apresenta no dia 11 na área externa da Torre Malakoff. Em parceria com o projeto Observa e Toca Malakoff, o festival apresentara trabalhos de grupos que exploram uma linha musical eletrônica e suas vertentes. Salvador Santo, Electrozion, Júlia Says, Diversitrônica, Sonic Jr são alguns dos nomes que se apresentam ao vivo na Torre Malakoff neste período.

O Continuum é uma realização da Rec-Beat Produções com patrocínio do Funcultura, apoio do Centro Cultural dos Correios e Embaixada da Espanha no Brasil e tem como eventos parceiros o Vivo Arte.Mov e o Observa e Toca.

Torre Malakoff – Praça do Arsenal da Marinha – Recife Antigo
(Seminários, Exposições, Oficinas, Intervenções Artísticas, Shows e Mostra de Vídeos)
De 08 a 18 de Outubro
Centro Cultural dos Correios – Av. Marquês de Olinda – Recife Antigo
(Seminários)
De 14 a 16 de outubro Informações: (81) 3231-3422
http://www.continuumfestival.com/

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Web completa 40 anos nesta quarta-feira

Veja os marcos no desenvolvimento e crescimento da internet, que chega aos 40 anos nesta quarta-feira:

1969: Em 2 de setembro, dois computadores na UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles) trocam dados sem sentido no primeiro teste da Arpanet, uma rede militar experimental. A primeira conexão entre dois locais --a UCLA e a Stanford Research Institute, também na Califórnia-- acontece em 29 de outubro, apesar de a rede ser interrompida após digitarem as duas primeiras letras da palavra "logon". A Universidade da Califórnia Santa Bárbara e a Universidade de Utah também se juntam à rede depois.

1970: A Arpanet chega à sua primeira ligação na costa leste dos Estados Unidos, na empresa Bolt, Beranek e Newman --agora BBN Technologies--, em Cambridge, Massachusetts.

1972: Ray Tomlinson traz também o e-mail à rede, escolhendo o símbolo "at" ou "@" como maneira de especificar endereços de e-mail pertencendo a outros sistemas.

1973: A Arpanet ganha suas primeiras ligações internacionais, na Inglaterra e Noruega.

1974: Vint Cerf e Bob Kahn desenvolvem a técnica de comunicações TCP, permitindo que múltiplas redes se compreendam, criando a verdadeira internet. Posteriormente, o conceito se divide em TCP/IP antes de sua adoção formal, em 1º de janeiro de 1983.

1983: O DNS (Domain Name System) é proposto. A criação de sufixos como ".com", ".gov" e ".edu" chega um ano depois.

1988: Um dos primeiros worms da internet, Morris, causa danos a milhares de computadores.

1989: A Quantum Computer Services, agora AOL, inaugura o serviço America Online para computadores Macintosh e Apple 2, começando uma expansão que acabaria por conectar cerca de 27 milhões de norte-americanos em 2002.

1990: Tim Berners-Lee cria a WWW (World Wide Web) enquanto desenvolvia maneiras de controlar computadores a distância na Cern (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear).

1993: Marc Andreessen e colegas na Universidade de Illinois criam o Mosaic, primeiro navegador a combinar gráficos e texto em uma única página, abrindo a web para o mundo com um software fácil de usar.

1994: Andreessen e outros na equipe do Mosaic formam uma empresa para desenvolver o primeiro navegador comercial, o Netscape. Isso chama a atenção da Microsoft e de outros desenvolvedores que iriam investir no potencial comercial da web. Dois advogados da área de imigração apresentam o spam ao mundo, ao fazer propaganda de seus serviços de "green card lottery" --programa de distribuição de vistos norte-americanos.

1995: A Amazon.com abre suas portas virtuais.

1998: Google monta um projeto iniciado nos dormitórios de Stanford. O governo dos Estados Unidos delega a supervisão das políticas relacionadas a nomes de domínios para a Icann (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers). O Departamento de Justiça e 20 Estados acusam a Microsoft, criadora do onipresente sistema operacional Windows de abusar de seu poder de mercado, frustrando a competição com o Netscape e outros.

1999: O Napster populariza o compartilhamento de arquivos de música, levando a sucessores que mudaram permanentemente a indústria das gravadoras. A população usuária de internet no mundo ultrapassa 250 milhões de pessoas.

2000: O "boom" das empresas de tecnologia dos anos 1990 dá lugar à explosão da bolha do setor. A Amazon.com, eBay e outros sites são seriamente prejudicados em um dos primeiros usos em larga escala do ataque de negação de serviço, que enche um site com tanto tráfico falso que usuários de verdade não conseguem visitá-lo.

2002: A população usuária de internet do mundo ultrapassa 500 milhões de pessoas.

2004: Marck Zuckerberg inicia o Facebook, em seu segundo ano de curso na Universidade Harvard.

2005: É inaugurado o site de compartilhamento de vídeos YouTube.

2006: A população usuária de internet do mundo ultrapassa 1 bilhão de pessoas.

2007: A Apple lança o iPhone, trazendo o acesso a internet sem fio a mais milhões de pessoas.

2008: Os usuários de internet do mundo ultrapassam 1,5 bilhões de pessoas. O total só na China chega a 250 milhões, ultrapassando os Estados Unidos como o país com a maior população usuária de internet do mundo. Os desenvolvedores do Netscape interrompem o navegador pioneiro, embora seu "sucessor", Firefox, permaneça forte. Importantes companhias aéreas intensificam o uso de serviços de internet nos voos.

2009: O "Seattle Post-Intelligencer" torna-se o primeiro grande jornal diário a ficar exclusivamente online. O Google anuncia o desenvolvimento de um sistema operacional com foco na web.


Len Kleinrock, pioneiro da internet, posa com a primeira interface de rede, em Los Angeles; web é ameaçada por restrições comerciais

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Desafio Facebook para programadores brasileiros

Em sua primeira visita ao Brasil, o criador e diretor-executivo do Facebook afirmou que o país é essencial para a empresa cumprir seu principal objetivo: permitir que todos os internautas mantenham contato de forma simples. “Queremos conectar o mundo inteiro. O Brasil tem um número grande de pessoas, é um dos maiores países do mundo. Não conseguiremos cumprir nossa missão se não fizermos sucesso aqui”, afirmou Mark Zuckerberg, de 25 anos, em entrevista coletiva nesta terça-feira (4).

A visita do executivo ao Brasil está ligada ao lançamento de uma campanha para desenvolvedores locais. “Temos 1,3 milhão de usuários brasileiros, sendo que a quantidade de internautas locais dobrou nos últimos três meses. Se continuarmos assim, em pouco tempo teremos milhões e milhões de brasileiros [no Facebook]”, disse o dono do site que, em todo o mundo, conta com 250 milhões de membros ativos (acessam o perfil pelo menos uma vez por mês).

A partir desta terça-feira (4), programadores brasileiros podem se inscrever em um concurso para desenvolver aplicativos para o Facebook, maior rede social do mundo. As inscrições vão até 28 de setembro, com prêmios de US$ 1 mil (terceiro lugar) até US$ 3 mil (primeiro lugar).

O concurso aceita inscrições em duas categorias: produção de um aplicativo para o Facebook ou integração do Facebook em algum outro site através da ferramenta Facebook Connect.

O site oficial da competição tem detalhes sobre o desafio, incluindo regras, ficha de inscrição e parâmetros para o desenvolvimento de aplicativos. A inscrição é gratuita.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Anel que vira Fone bluetooth

Imagine receber um telefonema em seu anel, retirá-lo de seu dedo e usá-lo como um fone bluetooth para atender a chamada? Este é o conceito do The Orb, um OLED – sigla para Organic Light-Emitting Diode ("Diodo orgânico emissor de luz") – que promete, além da função descrita acima, mostrar informações sobre a ligação, calendário e SMS voz/texto.

A idéia dos OLEDs é usar diodos orgânicos, compostos por moléculas de carbono que emitem luz ao receberem uma carga elétrica. A vantagem é que ao contrário dos diodos tradicionais, essas moléculas podem ser diretamente aplicadas sobre a superfície da tela, usando um método de impressão.

Outro conceito utilizado na tecnologia de funcionamento do The Orb é a utilização de condução de ondas sonoras utilizando a vibração dos ossos do ouvido. Assim o fone não precisa estar diretamente em contato com a orelha do usuário.

O produto está sendo desenvolvido pelas empresas Hybra Advanced Technology e AbsolutelyNew, e, de acordo com o site “Oh Gizmo”, tem lançamento planejado para 2010 com preços que variam de US$ 129 a US$ 175 (entre cerca de R$ 244 e R$ 331).

Outros assuntos sobre OLEDs:
Troque suas lâmpadas por um teto luminoso: LEDS

fonte: G1 Tecnologia

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Óculos interativos inteligentes atendem a comandos dos olhos

As telas incorporadas em óculos e em capacetes já fazem parte do dia-a-dia dos pilotos de caças. Em outras postagens já falamos sobre telas de lcd em lentes de contatos. O óculos interativo é muito semelhante a diferença está na sua inteligencia, que pode fazer com que o usuário abra um menu, selecione opções e altere imagens mostradas sem precisar de um mouse ou teclado, simplesmente utilizando o movimento dos olhos.

Até agora as HMD ("Head-Mounted Displays": telas montadas na cabeça), eram uma via de dados de mão única, apenas mostrando informações. Porém, cientistas alemães conseguiram incrementar esses equipamentos, incorporando-lhes "inteligencia": utilizando um minúsculo chip com um rastreador de olho, o oculos é capaz de detectar os comandos emitidos pelos olhos do usuário e acionar o programa rodando no computador principal, que envia os dados para os óculos. Tudo o que o usuário precisa fazer é fixar o olhar em determinado ponto da imagem.

O chip mede 19,3 por 17 milímetros. No protótipo ele está fixado na parte superior da armação dos óculos. A imagem da microtela é projetada diretamente na retina do usuário, dando a sensação de que ela está sendo visualizada de uma distância de cerca de um metro.

Os pesquisadores esperam que os novos óculos encontrem uso também entre os médicos e cirurgiões, que poderão acessar dados do paciente e imagens de exames enquanto fazem a operação, mas com o passar do tempo essa ferramenta pode e deverá ser utilizada para atividades rotineiras como mostrar informações ao mostorista de um carro, sem que ele desvie seu olhar da estrada, ou também para ler mensagens recebidas em seu celular.

Fonte: Inovação Tecnológica

sábado, 18 de julho de 2009

Land Rover faz o celular mais resistente do mundo

Para os que como eu, que não tem um celular e sim um guerreiro, a Land Rover acabou de lançar o celular mais resistente do mundo o Land Rover S1 phone

O pessoal do The Sun testou e, antes que o celular finalmente quebrasse, saiu intacto de um forno de 150°C, depois de ter sido jogado do segundo andar de um prédio. O mais legal, no entanto, é que o aparelho é feito de garrafas e plástico reciclado (partes dele).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O seu lar como você nunca viu


O que estamos fazendo com a Terra é uma pergunta que se torna a cada dia mais frequente, com respostas cada vez mais contundentes. Talvez, a mais devastadora seja a do cineasta Yann- Arthus Bertrand em seu filme Home. O trabalho, que usa câmeras da mais alta tecnologia e definição, mistura na medida beleza e destruição, e incomoda justamente por causa da poesia que imprime em cada uma de suas imagens, seja pelo bem ou pelo mal.

Com cenas captadas, sempre de cima, em lugares do mundo inteiro, o filme mostra a beleza da natureza e a destruição do homem. São imagens arrebatadoras e que podem ser vistas na integra na página Home Project. É imperdível. E se não acredita, dá só uma olhada no trailer.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Como funcionam os servidores do Google e sua suposta pane no dia 14/05/2009

O Goole é um sistema de busca popular para achar informações na Internet. Embora sua popularidade seja devida, em parte, à sua interface simples e tempo de reposta rápido, seu projeto não é nada simples. Do ponto de vista do Google, o problema é que ele tem de achar, indexar e armazenar toda a World Wide Web (mais de 8 milhões de páginas e 1 bilhão de imagens), ser capaz de pesquisar a coisa toda em menos de 0,5 segundo e manipular milhares de consultas/segundo que vêm do mundo inteiro, 24 horas por dia. Ademais, ele não pode parar nunca. E é claro, tem de fazer tudo isso do modo mais barato possível.

Para começar o Google opera várias centrais de dados no mundo inteiro, quando o serviço do google é solicitado, o endereço de IP do remetente é inspecionado e é fornecido o endereço da central de dados mais próxima. E é para lá que o browser envia a consulta.

Diferente da maioria das empresas, quando confrontadas com um imenso banco de dados, taxa de transmissão maciça e a necessidade de alta confiabilidade, compraria o equipamento maior, mais rápido e mais confiável existente no mercado. O google fez exatamente o oposto. Comprou PCs baratos, de desempenho modesto. Muitos deles. E, com eles, montou o maior cluster de prateleira do mundo (consiste em centenas de milhares de PCs conectadas por uma placa de rede). O princípio diretor dessa decisão foi simples: otimizar preço/desempenho.

A lógica que fundamentou essa decisão está na economia: PCs normais são muito baratos. Servidores de alta tecnologia não são e grandes multiprocessadores, menos ainda. Assim, enquanto um servidor de alta tecnologia pudesse ter duas ou três vezes o desempenho de um PC de mesa médio, normalmente seu preço seria de 5 a 10 vezes mais alto, o que não é eficiente em termos de custo.

Claro que PCs baratos falham mais do que servidores de topo de linha, mas os últimos também falham, portanto o software do Google tinha de ser projetado para funcionar com hardware que falhava, não importando qual equipamento estivesse usando. Uma vez escrito o software tolerante a falhas, na verdade não importava que a taxa fosse de 0,5% por ano ou 2% por ano, elas teriam de ser tratadas. A experiência do Google diz que cerca de 2% dos PCs falham por ano. Mais da metade das falhas se deve a discos defeituosos, seguidos por fontes de energia e chips RAM. Uma vez construídas, as CPUs nunca falham. Na verdade, a maior fonte de quedas não é o hardware é o software. A primeira reação a uma queda é apenas reinicializar, o que muitas vezes resolve o problema.


Um típico PC moderno da Google consiste em um Pentium de 2Ghz, 512 MB de RAM e um disco de cerca de 80GB, o tipo de máquina que uma avó compraria para verificar ocasionalmente seu e-mail. O único item especializado é um chip Ethernet. Uma típica central de dados utiliza uma fibra ótica OC-48 de alta largura de banda de entrada que é roteada para cada um dos comutadores Ethernet.

O Google aprendeu três coisas sobre executar servidores Web maciços que é bom repetir:
1. Componentes falham, portanto planeje a falha.
2. Duplique tudo para manter a vazão e a disponibilidade
3. Otimize preço/desempenho.

Nesta quinta feira, 14/05/2009, uma pane generalizada, oficialmente causada nos servidores da China, Austrália e França, atigiu os servidores do Google. Oficialmente, o Google Brasil não sabe dizer se a pane atingiu os brasileiros.

"A questão afetando alguns serviços do Google foi resolvida. Lamentamos pela inconveniência e divulgaremos mais detalhes em breve", afirma nota divulgada pelo buscador. O vice-presidente sênior de operações, Urs Hoelzle, afirmou que a instabilidade foi causada por um congestionamento de tráfego em roteadores na Ásia após o Google começar a redirecionar usuários de seus serviços pela região por um erro na rede.

"Como resultado, cerca de 14% dos nossos usuários experimentaram lentidões ou mesmo interrupções de serviços. Sentimos pelo que aconteceu e você pode ter certeza de que trabalharemos ainda mais forte para garantir que problemas similares não aconteçam de novo", afirma o post no blog oficial do Google.

Os problemas foram resolvidos, em breve serão divulgados maiores detalhes sobre a verdadeira causa da falha neste, que é sem dúvida, um exemplo de criatividade e eficiência em se tratando de custo/benefício.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Como nasce um produto

Fugindo um pouco do foco principal do nosso blog, que é a tecnologia, e inspirado pelo professor Marjony Camelo (UPE), o texto a seguir retirado da revista Exame mostra a estratégia de marketing utilizada para o lançamento de uma simples pasta de dente revelando a complexibilidade e os riscos que as empresas enfrentam ao colocar uma marca nas prateleiras. Tal conceito nos será útil para as proximas postagens onde em sua maioria, tratarão de assuntos relacionados as tecnologias de marketing móvel.

Revista EXAME 19.03.2009 por Daniel Hessel Teich:

A quebra do banco Lehman Brothers, em setembro, provocou uma apreensão fora do comum na torre E do Centro Empresarial de São Paulo, na zona sul da capital paulista. É lá que fica a sede brasileira da gigante de produtos de consumo americana Procter&Gamble, maior anunciante do mundo, dona de um faturamento de 83 bilhões de dólares e um portfólio de 300 itens, que vão de alimentos a produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica. Não que a quebra do banco e a sucessão de acontecimentos catastróficos que se seguiriam tivessem impacto imediato sobre os negócios da empresa no Brasil. O que se temia era que o derretimento da economia dos Estados Unidos pudesse arrastar para o buraco um projeto cuidadosamente montado pela filial desde março de 2006. No momento em que se deu o colapso financeiro americano, a P&G do Brasil dava os retoques finais para lançar em grande escala seu primeiro creme dental no país, um passo mais ousado e complexo do que a simplicidade do produto faz parecer. Com o agravamento da crise, o presidente da P&G no Brasil, o egípcio Tarek Farahat, procurou o presidente mundial da companhia, Alan G. Lafley. "A empresa não costuma cancelar lançamentos, mas a situação era fora do comum", disse Farahat a EXAME. "Lafley, porém, deixou claro que não mudaríamos absolutamente nada em nossa estratégia. Os investimentos previstos estavam mantidos, seja no lançamento, seja na construção de uma nova fábrica em Alagoas." Numa visita relâmpago à sede da operação em São Paulo, no dia 20 de janeiro deste ano, Lafley voltou a reiterar sua confiança no projeto a um grupo de funcionários reunidos no auditório da empresa. Com a bênção do presidente mundial, o lançamento, cujos principais passos foram acompanhados por EXAME nos últimos quatro meses, seguiu como o planejado. No começo de abril, o creme dental da Procter deve chegar ao mercado nacional com a marca Oral-B Pro-Saúde.

É fácil entender o motivo por trás da apreensão dos executivos da P&G. Um lançamento bem-sucedido pode mudar a dimensão de um negócio. A Apple ressurgiu das cinzas graças ao fenômeno iPod, aparelho que mesmerizou os consumidores desde o momento em que surgiu pela primeira vez. A Coca-Cola injetou ânimo novo em sua velha marca com a Coca-Cola Zero, produto que imediatamente se tornou um fenômeno de vendas e teve impacto direto no aumento da lucratividade global da empresa. Depois que entraram para o panteão do consumo global, o iPod e a Coca Zero parecem casos que estavam, desde o princípio, destinados ao estrelato. Evidentemente, não é assim que um lançamento funciona. Ambos, como seus resultados mostraram, tinham, de fato, potencial para estourar. Mas como eles surgiram? Que tipo de aperfeiçoamento foi necessário para que despertassem o desejo nos consumidores? Que estratégias de marketing foram utilizadas? "Ter em mãos um bom produto é apenas parte de um amplo processo", diz Jay Desai, ex-executivo da área de inovação da GE e presidente da consultoria americana Institute of Global Competitiveness.

As etapas são várias e, muitas vezes, começam bem antes da concepção do produto em si (veja quadro). A Procter&Gamble, por exemplo, aproveita a condição de uma das maiores máquinas de inovação do mundo, com 27 000 patentes registradas, para impulsionar sua produção de lançamentos. O novo creme dental que será lançado no Brasil reuniu 25 dessas patentes, invenções como uma substância que elimina as bactérias da boca e outra que reduz manchas nos dentes. O período de estudos para a execução de um projeto dessa envergadura é longo. Apenas em pesquisas, o produto consumiu 12 anos e foi alvo de mais de 30 estudos científicos. Lançado nos Estados Unidos em 2006, com o nome de Crest Pro-Health, permitiu à marca Crest - uma das mais tradicionais da P&G - reconquistar a liderança de mercado, perdida dez anos antes para a também americana Colgate. Só em marketing, a introdução da Crest Pro-Health nos Estados Unidos consumiu 100 milhões de dólares, transformando-se no maior lançamento de uma pasta de dentes da história. Seria possível até esperar que, com um retrospecto desse porte, a P&G simplesmente mandasse as caixas de pastas de dentes para os supermercados brasileiros e começasse a vender seu produto.

Não foi o que aconteceu. Para lançar seu novo creme dental no Brasil, a empresa praticamente refez todo o caminho que a matriz já havia trilhado anos antes no mercado americano. Entre março de 2006 e fevereiro de 2009 - portanto durante quase três anos de trabalho -, a P&G brasileira realizou 15 diferentes pesquisas de mercado, ouvindo 5 200 consumidores, número quatro vezes maior do que o habitual em lançamentos de produto. Nas pesquisas, foram testados desde os hábitos de escovação dos brasileiros até a preferência por sabores - entre a gama de produtos da empresa há variedades como anis, canela, laranja, limão e até mesmo maracujá e açaí, sabores que o brasileiro estranhou. A embalagem também foi submetida à aprovação dos consumidores, sendo avaliada em testes sofisticados, como o eye tracking. Por meio dessa tecnologia, os designers da empresa se valeram de uma tela de computador capaz de registrar o movimento dos olhos dos consumidores pelo produto e, com isso, detectaram os pontos que mais chamavam a atenção das pessoas (como a reação às cores, ao tamanho das letras e às ilustrações na caixa de papelão). Até a decisão pelo modelo final, foram testadas 44 embalagens diferentes.

Por que tanto empenho no lançamento de um único produto, em algo tão simples quanto um creme dental? Do sucesso da iniciativa depende muito a expansão da P&G no Brasil. Sua missão é funcionar como uma alavanca para a área de produtos de higiene bucal da companhia no país, um mercado estimado em 3,2 bilhões de reais por ano. Hoje, a Procter detém 21% do mercado de higiene bucal no mundo, liderando em países como Estados Unidos, Canadá, Itália e Alemanha. Sua participação no Brasil, porém, é de coadjuvante. A Procter está presente apenas no mercado de escovas de dentes, enxaguatórios e fio dental - segmentos que representam cerca de 40% do total da área de higiene bucal. Com o novo produto, a empresa entra na fatia mais robusta do mercado, com vendas anuais estimadas em 1,9 bilhão de reais. Para a Procter, o Brasil é um mercado fundamental, pois se trata do segundo maior das Américas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Também é um dos que mais crescem no mundo, ao ritmo de 3% ao ano em cremes dentais e 8% em escovas. Segundo cálculos dos executivos da P&G, cada ponto percentual de participação de mercado que a nova pasta de dentes conquistar nos próximos meses representará um crescimento de 10% em seu negócio de higiene bucal. Ganhar espaço nesse setor, porém, é uma tarefa especialmente complexa. Com o lançamento da nova Oral-B, a P&G baterá de frente com as líderes históricas de mercado - a Colgate-Palmolive, dona das marcas Colgate e Sorriso, que concentram juntas 60% de participação, e a anglo-holandesa Unilever, dona da marca Close Up.

A reação dos concorrentes é um dos maiores riscos que um novo produto pode enfrentar - principalmente quando esses concorrentes concentram parcela tão significativa das vendas. Na tentativa de evitar um contra-ataque agressivo, a P&G prepara uma chegada discreta. No princípio, seu produto será distribuído em 35 000 pontos-de-vendas considerados estratégicos, de um total de 350 000. Apesar de já ter comerciais de TV gravados com o novo produto, a P&G não deve realizar campanhas publicitárias de massa em um primeiro momento. O marketing se concentrará na distribuição de amostras grátis em consultórios dentários e no lançamento de pacotes promocionais, nos quais o creme dental será distribuído como brinde na venda de outros itens da linha Oral-B. Ao todo, está prevista a distribuição de 4 milhões de amostras grátis em consultórios dentários, enquanto outros 3 milhões de tubos serão distribuídos como brinde. As duas iniciativas são o que os profissionais de marketing chamam de ferramentas de experimentação. "O principal objetivo do lançamento é despertar a atenção do consumidor e levá-lo a testar rapidamente o produto", diz Farahat. "Nossas pesquisas mostram que o consumidor que testa o nosso produto tende a adotá-lo como marca preferencial."

A estratégia de lançamento da nova Oral-B no Brasil é uma clara demonstração de como uma empresa do porte da P&G tira proveito de seu processo de globalização - mesmo em períodos de crise econômica. Com quatro fábricas instaladas no país, a P&G não produzirá um grama sequer do produto no Brasil. As quatro versões da pasta, divididas por faixas de preço, serão importadas. O principal produto da linha, o creme dental Oral-B Pro-Saúde, com preço de cerca de 4 reais, tem fórmula idêntica à Crest Pro-Health, o creme dental que garantiu à empresa a liderança de mercado nos Estados Unidos. Por questões de escala de produção e logística, o produto não virá da matriz, mas sim da fábrica da empresa na Alemanha, país onde é vendido com a marca de Blend-A-Med. As versões mais populares serão produzidas no México. Como era de esperar, a montagem desse mix criou alguns imprevistos. No final do ano passado, às vésperas do lançamento, percebeu-se que as caixas trazidas da Alemanha eram menores que o padrão brasileiro. Se fossem mantidas no formato original, corriam o risco de desaparecer nas prateleiras dos supermercados. Já as mexicanas tinham o tamanho semelhante às usadas no país. A solução encontrada foi encomendar novas caixas à filial do México, trazê-las desmontadas e organizar uma trabalhosa operação de reembalagem nas fábricas e nos centros de distribuição da P&G no Brasil.

A globalização, porém, para por aí. Ao contrário do que acontece em outras grandes empresas mundiais, com suas marcas e campanhas de marketing padrão, os executivos da P&G concluíram que adaptações ao mercado local seriam determinantes para o sucesso. A começar pelo nome do novo produto. A marca Crest existe nos Estados Unidos desde a década de 50. Lá é tão reconhecida como a Pringles, das batatas fritas, ou a Tide, que batiza o mais vendido sabão em pó do mercado americano. Ao lançar aqui suas fraldas, na década de 90, a Procter não hesitou em usar sua principal marca, Pampers. Fez o mesmo com o sabão Ariel, outro de seus logotipos globais. Por que não fazer o mesmo com a Crest? Por uma questão de tempo, de conveniência e de risco. A Oral-B, marca herdada com a compra mundial da Gillette, tem uma história de mais de 30 anos no Brasil. Batiza uma linha de escovas líder de mercado, com 27% de participação. "Pensamos em usar o nome Crest, mas percebemos que não havia apelo de massa no Brasil", diz César Benitez, diretor de pesquisa de mercado da P&G no Brasil.

O lançamento da pasta de dentes da Crest é um exemplo da complexidade alcançada pelas estratégias de marketing das grandes companhias. Tal sofisticação, porém, não é garantia de sucesso. O índice de fracasso em lançamentos é elevadíssimo. Segundo estatísticas da McDonough School of Business, da Universidade Georgetown, um em cada três lançamentos realizados no mercado americano fracassa. A mesma pesquisa mostra que, em média, 46% dos recursos aplicados em desenvolvimento e comercialização de novos produtos não alcançam o retorno esperado. Realizado em 2007, o lançamento do sistema operacional Windows Vista, da Microsoft, já se transformou num desses antiexemplos. Depois de dois anos de atraso e mais de 7 bilhões de dólares em investimentos, o Vista chegou ao mercado em meio a uma gigantesca operação de marketing, aquilo que o presidente da empresa, Steve Ballmer, definiu como o maior lançamento na história da Microsoft. Quando os primeiros compradores instalaram o software em suas máquinas e os problemas começaram a surgir, a classificação de Ballmer tornou-se uma piada. O Vista travava, era lento e apresentava problemas de compatibilidade com outros equipamentos, como impressoras. (Uma prova de que não há pirotecnia que salve um produto com problemas de concepção.) Surpreendida, a Microsoft realizou uma série de correções, mas o Vista já estava condenado. A empresa terá a chance de se redimir perante o mercado em 2010, quando deverá ocorrer o lançamento do Windows 7. Diante das armadilhas presentes no caminho de um lançamento, Farahat, o presidente da P&G do Brasil, tem revisado cada passo de sua estratégia. Nos últimos dias, adotou um mantra em meio à pressão provocada pela estreia da nova Oral-B. "O diabo está nos detalhes", costuma dizer. O difícil, em momentos como este, é saber em qual detalhe o demônio pode estar escondido.

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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Europeus fazem simulação de 'tráfego intenso' de satélites no espaço

As imagens impressionam. São parte de uma simulação da ESA (Agência Espacial Européia) para mostrar onde estão os mais de 12 mil satélites artificiais da Terra, colocados em órbita por foguetes nos últimos 50 anos. Olhando para elas, fica mais fácil entender como, apesar de todo o esforço de rastreio feito por agências espaciais ao redor do mundo, dois satélites, um russo e um americano, colidiram no espaço, sobre a Sibéria.

Nas imagens, há um exagero, claro: os satélites na verdade são bem menores do que parecem na simulação, em comparação com o tamanho da Terra. Por isso, ao tirar fotos de nosso planeta, as sondas espaciais não revelam a montanha de metal, lixo e painéis fotovoltaicos que gira o tempo todo sobre nossas cabeças. Ainda assim, está tudo lá.

As preocupações de segurança são maiores para missões tripuladas. Em caso de uma colisão de algum desses satélites com a Estação Espacial Internacional, é improvável que os tripulantes do complexo orbital pudessem sobreviver. Daí a necessidade de monitorar de perto tudo que é colocado em órbita da Terra.